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Gestão de Seres Humanos: cem anos de História!
De Recursos Humanos à Gestão de Pessoas:
o desafio à gerência no novo milênio.
Paulo Cangussu
Introdução - Para
avançarmos, temos que reconhecer a rapidez com
que as mudanças ocorrem atualmente. Como conseqüência aumentam as
tensões e estresses. O que sabemos hoje talvez não seja suficiente amanhã, e
para isso é preciso aprender continuamente. Também assim ocorre com as empresas direcionadas
pelas mudanças , que procuram atender às principais demandas atuais:
-
produzir mais com menos;
-
produzir mais rapidamente
produtos e serviços;
-
absorver o fluxo crescente de informações.
Entre as questões que deveriam estar nas
prioridades de discussão nas empresas modernas , no que se refere à
globalização e a aceleração da competitividade dela resultante, uma das mais
importantes seria certamente sobre os efeitos da volatilidade das condições de
trabalho, entre eles o stress funcional e a baixa criatividade, e dos riscos
que podem ser evitados, se esses efeitos forem equacionados, prevenidos e
solucionados. As novas exigências percebidas pelas administrações demandam
significativas mudanças na abordagem de técnicas de motivação e treinamento.
Uma década de reengenharia e processos motivacionais messiânicos deixaram como
resíduos persistentes a desconfiança e a resistência aos métodos tradicionais.
Nada é mais necessário aos novos gerentes de
recursos humanos do que o conhecimento da história do trabalho humano e sua
evolução até os nossos dias. Conhecê-la é evitar a repetição e o retrocesso,
posicionando-se corretamente nas novas estruturas empresariais e tecnológicas.
É evitar incorrer nos mesmos erros do passado .
Os historiadores têm dividido a evolução da
gestão em períodos determinados pelas mudanças neles ocorridas;
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1900 –1920 – A gestão científica
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Taylor inventa a organização científica do
trabalho. Inspira Henry Ford e influencia todo
o século. Mary Parker Follett prega doutrinas mais humanistas. Mas poucos lhe
dão crédito
Progressos
formidáveis! Em 1908, ano de lançamento do modelo T da Ford, a montagem do automóvel
demorava doze horas e vinte minutos. Na década de 20, uma hora e vinte minutos
bastava. Produto de massa e barato, o modelo vendeu 15 milhões de unidades.
Como se conseguiu esta melhoria? Henry Ford, o fundador da
empresa, não estava a brincar quando fez este cálculo estranho: das 7882
operações em que se decompõe a montagem do Ford T, 949 tarefas exigem pessoas
robustas e 3338 homens com uma força física normal. O resto? Ao alcance de
«mulheres ou crianças grandes». 2637 operações podem ser efetuadas por
deficientes sem uma perna, 715 por pessoas sem um braço, 670 por deficientes
sem ambas as pernas, 10 por cegos, 2 por pessoas amputadas dos dois braços.
O pioneiro da indústria automóvel quis provar que é possível especializar as
tarefas e decompor o trabalho em gestos elementares, racionalizando a produção
e aumentando o rendimento. Foi o que ele fez: o operário deixou de girar em
torno do automóvel que estava a ser montado. Foi a cadeia que passou a desfilar
face ao posto de trabalho. Basta, em seguida, cadenciar os movimentos e
padronizar o todo — os veículos devem ser idênticos «como dois alfinetes saídos
de uma fábrica de alfinetes».
Henry Ford foi um precursor, mas retira a sua inspiração de Frederick Winslow
Taylor, um apaixonado do estudo do trabalho humano e grande maníaco do
cronómetro.
Em 1911 Taylor, então engenheiro-chefe na Bethlehem Steel, inventa uma
«organização científica do trabalho», que deve aumentar a produtividade
reduzindo o «ócio» dos operários. Está convencido de que uma «cooperação
amigável» entre o patrão e os trabalhadores para aumentar a mais-valia
permitirá acelerar simultaneamente os benefícios de um e os ganhos do outro. Um
objetivo muito afastado da imagem negativa que hoje rodeia o taylorismo.
Na prática, a realidade foi menos lírica. Muitos empresários aproveitarão num
só sentido uma doutrina que desemboca com frequência na desumanização das
tarefas. Mas isso não impedirá o sistema Taylor de invadir o planeta.
A exaltação da produtividade e do rigor arrastou, nesta época, uma certa
cegueira. Nasceram os grandes preceitos da organização. A utopia, por assim
dizer, da gestão de homens chave na mão. Em 1913, Harrington Emerson enuncia os
«12 princípios da eficácia». Três anos depois, o francês Henri Fayol identifica
14, que apresenta na sua obra Administration Industrielle et Générale (v. caixa
«Produzir mais é a prioridade»): «autoridade, disciplina, obediência,
hierarquia», mas também «bondade, equidade, boa vontade face aos operários»,
porque o autor retirou lições da sua experiência como director das minas de
Commentry. Taylor e Fayol complementam-se, apesar de divergirem em pontos
essenciais como a unidade de comando, da qual Fayol não abdica.
É preciso, todavia, salientar que, neste mesmo período, foi lançada uma pedra
por uma mão feminina no mar da organização científica do trabalho de Taylor.
Sem, aliás, provocar qualquer onda. A norte-americana Mary Parker Follett
argumenta, contra o pensamento de Fayol, que o interesse do indivíduo não pode
desaparecer perante o do grupo. E defende também a lógica da responsabilidade
face à da obediência. Ideias que voltarão a surgir mais tarde neste século.
Muito depois, efectivamente, virá o modo de gestão participativa, da teoria Z
de Ouchi (1983), do «gestor-minuto» de Blanchard e Johnson (1984), um gestor
que não perde tempo em demonstrações de poder. Mas, para já, qualquer
contestação da autoridade assente numa pirâmide parece suspeita. Uns concebem,
os outros executam, e ponto final. Neste início de século e nos primórdios da
gestão passa-se bem sem as idéias loucas de Miss Follett.
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Produzir mais é a
prioridade
1911.
The Principles of Scientific
Management é um verdadeiro manifesto revolucionário sobre
o redesenho dos processos, visando aumentos espectaculares da produtividade.
Com ele Taylor lançou os fundamentos da gestão científica, hoje encarada com
desprezo mas cujo legado está vivo em muitas empresas.
1916.
Em Administration Industrielle et Générale, o francês Henri Fayol
identificou as áreas funcionais de uma empresa e diferenciou a gestão,
colocando-a no centro da organização: «Gerir é prever e planejar, organizar,
comandar, coordenar e controlar.» Esta definição foi largamente usada durante
todo o século.
Datas que fizeram
história
1901.
J. P. Morgan intermedia a venda de participações da Andrew Carnegie a um novo
grupo, a US Steel. O negócio criou a primeira empresa a valer 1000 milhões de
dólares.
1913.
A fabricante francesa de automóveis Renault
torna-se a primeira exportadora mundial. A firma conta com 4000 empregados e
produz uma dezena de modelos.
1914.
Começa a Grande Guerra, durante a qual 10 milhões de pessoas perderão a vida.
As fábricas de armamento organizam-se para conseguir o máximo da produção.
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1920 –1950 O
triunfo da organização
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Procura-se sempre mais eficácia. A General
Motors suplanta a Ford com modelos adaptados a cada segmento. Fala-se de
marketing e de relações humanas. Mas o taylorismo ainda impera
Depois
de restabelecer a paz, não era tempo de baixar os braços. Para endireitar a
Europa aumentem-se as cadências! A produtividade cresce, tal como o
descontentamento, porque os salários não acompanham. As grandes empresas
automobilísticas — Renault, Citroën, Peugeot
— cultivam o fordismo. Cadeias de produção avançam na aeronáutica, indústria
ferroviária, construção elétrica, setor alimentar. Em 1926, Paris recebe o
congresso internacional da Organização Científica do Trabalho.
Os Estados Unidos já passaram, entretanto, por esta etapa. A Du Pont destronou
a Ford do pódio das empresas modernas. Pela primeira vez, de fato, as funções
da sede são separadas das dos departamentos: a direção fixa os objetivos,
coordena, serve de árbitro; as unidades possuem a responsabilidade operacional
e gozam de uma vasta autonomia. Levada pelo turbilhão da Du Pont, a General
Motors é reestruturada pelo seu patrão, Alfred Sloan, com o mesmo esquema: 95%
das decisões pertencem aos diretores de divisões.
Mas, para o consumidor, a grande revolução está no marketing. Sloan observa o
fosso existente entre uma sociedade com gostos diversificados e um produto de
massa e apanha Henry Ford pela culatra: segmenta o mercado e propõe um modelo
para cada um «de acordo com os seus meios e necessidades». O fabrico, a
distribuição, os preços, a publicidade adaptam-se a esta estratégia virada para
o cliente, que vai lançar fora de moda o carro de uniforme preto. Sloan vence
jogando com a procura, enquanto Ford liderava uma política da oferta.
Constata-se mais tarde que o automóvel é o berço das grandes inovações de
gestão do século, de uma certa forma, a mãe de todas as indústrias — até chegar
a informática, com a sua nova visão do mundo.
No início dos anos 30, o processo de produção no seu todo começa a ser
contestado. A cadeia favorece a produtividade, mas não é flexível, e,
sobretudo, ignora o homem. É a constatação durante um «blues industrial», uma
espécie de peso que abate cada vez mais o operário. Elton Mayo, psicólogo,
professor em Harvard, conduziu nos ateliers Hawthorne da Western Electric de
Chicago uma série de experiências científicas que o levaram a esta conclusão: o
simples fato de se interessar por eles dá aos trabalhadores motivação. À lógica
dos custos e da eficácia opõe, por isso, a «lógica do sentimento». A corrente
das relações humanas tem aqui a sua fonte, ilustrada por Thomas Watson na IBM,
Robert Wood na Sears Roebuck e outros. Por arrastamento virão as teorias de
Kurt Lewin, Abraham Maslow, Chris Argyris, Douglas McGregor… mas Taylor
sobrevive! Durante a II Guerra Mundial, quando é imperioso produzir rapidamente
armas ou veículos, o taylorismo ainda é o sistema triunfador, por exemplo com
os liberty ships.
Os liberty ships são navios cargueiros fabricados em cadeia a partir de 1942
(um navio cada 15 horas) e que irão garantir, nomeadamente, a logística do
desembarque da Normandia. Graças a eles, a operação do dia D não vai apenas
derrubar o Reich, mas demonstrar também aos europeus, siderados, a
superioridade da organização americana. A vitória de 1945 assinala o triunfo da
gestão tal como é concebida para além do Atlântico e o início de um grande
fascínio na nossa margem. Os diplomas MBA (Master in Business Administration),
obtidos nos Estados Unidos, fazem sonhar os jovens ambiciosos. Os patrões mais
de vanguarda viram-se para o consultor de gestão McKinsey, a nata do seu
sector. E a sociedade de consumo nasce, favorecida pelos princípios de
organização de há 30 anos.
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Do autodesenvolvimento de Dale Carnegie à burocracia de Weber
1923.
My Life and Work
foi publicado por Henry Ford aos 60 anos. A obra é dominada pela biografia do
autor em detrimento da sua filosofia de negócios — «reduzir o preço, estender
as operações e melhorar o produto».
1937.
Vendeu bacon, sabão, banha e automóveis. Como
Fazer Amigos e Influenciar Pessoas é o seu mais conhecido
livro (15 milhões de cópias). O seu nome é Dale Carnegie, o pai dos guias de
autodesenvolvimento.
1938.
O trabalho de Chester Barrando foi injustamente votado ao esquecimento. Mas, The Funcion of the Executive deu uma
dimensão moral ao mundo do trabalho expressa quando, por exemplo, advoga a
comunicação.
1941.
Uma coleção de 12 palestras de Mary Parker Follett, Dynamic Administration, foi publicada
oito anos após a sua morte. Como observa Rosabeth Moss Kanter, com ela
aprendemos que «as relações são importantes».
1947.
Max Weber, em The Theory of Social
and Economic Organization, argumenta que a forma mais
eficiente de organização assemelha-se a uma máquina: com regras, controlo e
hierarquia rígidos e movida pela burocracia.
Datas que fizeram
história
1929.
19 de Outubro, segunda-feira negra. Dá-se o crash na Bolsa de Nova Iorque,
que arrastará as bolsas e as economias de todo o mundo. É a Grande Depressão.
1936.
Sit down strike na General Motors abre uma nova era do sindicalismo. A 18 de
Julho começa a Guerra Civil em Espanha.
1939.
1 de Setembro. Hitler invade a Polônia, provocando a II Guerra Mundial, que
termina em 1945.
1941.
A 1 de Julho a NBC e a CBS inauguram as
emissões televisivas comerciais.
1945.
John Mauchly e J. Presper Eckert apresentam o ENIAC, o primeiro computador
eletrónico.
1947.
Lança-se o plano Marshall para ajudar a reconstrução européia.
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1950 – 1960 A chegada do pai da gestão
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Na maior parte dos países europeus, o Estado
assume o controlo. As empresas administram-se, mais do que se gerem. Vem então
a América com uma nova voz: Peter Drucker, o pai da gestão
A
França, como o Reino Unido, arregaçaram as mangas. Constróem carros, barragens,
produzem aço… E adivinhe-se quem aparece com uma caixa de ferramentas? O
imortal Taylor, falecido há mais de 30 anos. Os mestres-de-obras têm novamente
um cronómetro em punho, um escritório com os tempos elementares instala-se, bem
como uma comissão para a produtividade. A viagem à Meca da gestão tornou-se
quase obrigatória: de acordo com o Plano Marshall de auxílio à Europa, milhares
de patrões vão para os Estados Unidos absorver um savoir-faire que trazem em
peças.
Entre as suas descobertas, o TWI (training within industry) ensina aos
controladores a formação dos operários: instrução, relações de trabalho,
simplificação das tarefas, segurança. Os chefes de pessoal, muitas vezes
antigos militares, encarregam-se de organizar tudo no terreno. Estas «missões
de produtividade» na América são também uma oportunidade de imergir numa
cultura feita de pesquisa, de venda, de controlo de gestão, e que se ensina em
estágios interempresas, à semelhança do que faz a American Management
Association.
Todavia, o tecido industrial europeu absorve lentamente: foram precisos 20 anos
para que começasse a integrar as estruturas de divisões da Du Pont e General
Motors. Na verdade, é a esfera privada que o modelo americano invade primeiro,
nomeadamente algumas famílias abastadas, cujo lar conta agora com um
living-room e frigoríficos e máquinas de um branco clínico. Este é um escalão
avançado na cozinha funcional que evita passeios inúteis à dona de casa. Nos
anos 50, esta cozinha-laboratório vende-se com um argumento que, hoje, daria
que pensar: foi concebida, diz o reclamo, «como um posto de trabalho na
fábrica»! Frederick Taylor feito fada do lar…
Outro grande guru, este sem rosto, apoderou-se da França e outros países depois
da libertação. Trata do carvão, gás, eletricidade, aeronáutica, transportes e
bancos. Com o pretexto de evitar desperdícios, começou por orientar o esforço
nacional, partilhar a penúria, distribuir recursos. O Estado, eis o seu nome,
enquadra tudo nas suas tecno-estruturas. E vai marcar uma época. Mais do que
gerir empresas, quer-se administrá-las.
No entanto, foi no início deste período que chegou da América uma lição
diferente. É assinada por Peter Drucker e intitula-se The Practice of
Management. O seu autor, hoje com 89 anos, refere-o sem falsa modéstia: «Este
livro permitiu às pessoas aprenderem a dirigir, algo que raros gênios eram
capazes de fazer até então e que não se conseguia reproduzir. Pus-me ao
trabalho e fiz disso uma disciplina.» A partir de então, todos os gurus do
planeta encontrarão a sua inspiração neste consultor instalado na Califórnia.
Muitos dos seus conceitos são hoje clássicos, como a gestão por objetivos, que
só será difundida 10 anos depois. É o fruto de observações aprofundadas
conduzidas em múltiplas empresas americanas, nomeadamente na General Motors e
General Electric: fixam-se objetivos específicos às pessoas, que devem prestar
contas do seu desempenho no fim de um período. Mesmo princípio ao nível dos
departamentos, divisões, etc. A gestão por objetivos, explica Drucker, «garante
o rendimento, transformando necessidades objetivas em ambições pessoais. Esta é
a verdadeira liberdade. Uma liberdade com lei». O que foi inventado depois
disto?
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Uma década de grandes clássicos, marcada pela escola de relações
humanas
1954. Motivation and Personality, do
psicólogo behaviourista Abraham Mas-low, é um livro conhecido por uma contribuição
fundamental para a compreensão da natureza e psicologia humana no seio das
organizações (embora não se reduza a essa utilidade), a hierarquia das
necessidades, conceito que Maslow lançara em 1943. Segundo ele, há uma escala
ascendente de necessidades que devem ser satisfeitas, sob pena de as pessoas
não se motivarem.
1954.
«O management será a instituição básica e dominante talvez enquanto durar a
civilização ocidental», prevê Peter Drucker em The
Practice
of Management. Esta obra é um marco fundamental na
história da gestão, não só pelas idéias que fornece como também pelo papel
central no século xx que atribui à disciplina. Numa das frases mais
memoráveis e citadas da literatura desta área, Drucker clarifica: «Há só uma
definição válida do objetivo de um negócio: criar um cliente.»
1958. Parkinson’s Law está para os anos 50
como Dilbert está para os anos 90. Segundo o seu autor, Northcote Parkinson,
«o trabalho estica até preencher o tempo disponível para a sua execução». A
seqüela desta famosa lei é The Law and the Profits (1960), que lançou a
segunda lei de Parkinson: «Os gastos sobem para irem ao encontro das
receitas.»
1959.
Frederick Herzberg e os co-autores de The
Motivation to Work perguntaram a 203 engenheiros e
contabilistas o que lhes agradava e desagradava no seu trabalho. Do inquérito
nasceu a famosa distinção entre fatores higiênicos e motivacionais, provando
que os fatores que nos dão satisfação não são necessariamente iguais aos que
conduzem à insatisfação.
1960.
The Human Side of Enterprise
é outro dos clássicos da escola de relações humanas dos anos 50. Douglas
McGregor apresenta duas descrições do pensamento dos gestores: a teoria X (os
trabalhadores são, por natureza, preguiçosos) e a teoria Y, no outro extremo,
baseada na premissa de que as pessoas querem e precisam de trabalhar.
Datas que fizeram
história
1950.
Frank X. McNamara apresenta o Diner’s Club, o primeiro cartão de crédito.
Nasce a era do dinheiro de plástico.
1955.
Ray Croc funda a McDonald’s. A IBM instala o seu primeiro mainframe, o 702,
na sede da gigante química Monsanto.
1957.
Assina-se o Tratado de Roma, que cria o Mercado Comum Europeu.
1959.
A Mattel dá a luz a Barbie, uma boneca
condenada a ser clonada aos milhões.
1960.
Kennedy entra para a Casa Branca. Começam os anos Golden Sixtie.
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Movimento pelas relações
humanas
Surge como reação e contraponto ao mecanicismo
que imperava nas empresas. Não há um só nome que se imponha, mas, no conjunto,
eles fizeram uma revolução
A
elevação das pessoas a uma preocupação fundamental dos gestores é um
desenvolvimento na história da gestão a que é impossível associar um só nome.
Considera-se que tudo começou com os Hawthorne Studies, pesquisa empreendida
entre 1927 e 1932 na fábrica da Western Electric em Hawthorne, Chicago.
Estudando as atitudes e comportamentos dos seus trabalhadores, descobriu-se o
«efeito Hawthorne», segundo o qual a produção melhora quando os trabalhadores
acreditam que os gestores se preocupam com o seu bem-estar. O mais apaixonado
defensor destes estudos era o australiano Elton Mayo (1880-1949), que defendia
que a auto-estima é vital para o bom desempenho. Mayo alertou para a
necessidade de canais de comunicação entre os trabalhadores e a gestão para que
os indivíduos e os grupos se identifiquem com os objetivos da empresa.
O pleno potencial destes estudos só viria, no entanto, a ser aproveitado nos
anos 50, quando surgiu nos Estados Unidos um grupo de pensadores — mais tarde
chamado escola de relações humanas — cujas figuras centrais são Douglas
McGregor, Abraham Maslow e Frederick Herzberg, que viriam a influenciar nomes
como Ed Schein, Chris Argyris e Warren Bennis.
Ao psicólogo social Douglas MacGregor (1906-1964) deve-se uma das maiores
contribuições para o estudo dos fatores de motivação, a teoria X e Y. A teoria
X defende que os trabalhadores são por natureza preguiçosos, necessitando por
isso de ser supervisionados e motivados. Para eles, o trabalho é um mal
necessário. A teoria Y, por oposição, advoga que as pessoas querem e precisam de
trabalhar. Quando morreu, em 1964, MacGregor trabalhava na formulação da teoria
Z, que visava fazer o encontro entre as aspirações individuais e da empresa.
Simultaneamente Abraham Maslow trabalhava na pirâmide da hierarquia das
necessidades, que tem como base as fisiológicas (abrigo, alimentação, calor) e
como cume as de auto-realização. Assim que uma necessidade está satisfeita, ela
deixa imediatamente de ser um motivador.
O psicólogo clínico Frederick Herzberg (n.1923) identificou depois os fatores
higiênicos ou de manutenção, como as necessidades econômicas básicas, por
oposição aos fatores motivacionais, dirigidos a aspirações mais profundas. Bons
fatores higiênicos são necessários, mas não suficientes, para motivar as
pessoas.
O trabalho de Warren Bennis, um dos protegidos de MacGregor, cobre uma vasta
gama de áreas. Aquele que definiu a diferença entre líderes e gestores e se
tornou a eminência parda da liderança contemporânea, aconselhando quatro
presidentes dos Estados Unidos, na década de 50 estudava a dinâmica de grupo.
Subjacente ao trabalho de Chris Argyris está também o desejo de desenvolver e
apoiar as pessoas no seio das organizações. A sua premissa? Se as organizações
encorajarem os indivíduos a alcançarem o seu pleno potencial, isso será mutuamente
benéfico. Esta crença é considerada a origem do conceito de learning
organization (organização em constante aprendizagem), que viria a ser
popularizado por Peter Senge, em 1990, com o livro The Fifth Discipline.
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1960 – 1973 A
Obsessão do Planejamento
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Todos queriam ver o futuro em primeiro lugar. As
empresas contratam consultores e jovens quadros. Os departamentos de
planejamento crescem. Mas nem por isso os erros estratégicos são evitados
Os
anos de trabalho deram o gosto do consumo aos europeus. Uma longa orgia do
crescimento que o economista francês Jean Fourastié vai imortalizar com a
expressão «trente glorieuses» (30 gloriosos). Bem-vindo ao primeiro
hipermercado Carrefour, ao primado do marketing e vendas e à formação de
batalhões de vendedores persistentes e combativos.
Quanto às armas, ainda bem que existe o electronic data processing machine, que
um lingüista da Sorbonne sugeriu chamar «computador de elementos complexos».
Este engenho já está em muitas empresas, entre elas as pioneiras dos estudos de
mercado, sondagens de opinião e pesquisas operacionais: a Rand Corporation e a
Gallup, dos Estados Unidos.
Com a entrada em vigor da Comunidade Económica Europeia e a abertura das
fronteiras anuncia-se uma concorrência feroz. Em 1969, uma OPA falhada da BSN
sobre uma vidreira francesa, a Saint-Gobain, mostra bem que não há jogos a
feijões. Por isso, a matéria cinzenta ferve sobre a arte de pilotar empresas.
«No mundo inteiro», diz Peter Drucker, «a gestão tornou-se a nova função social.»
Big is beautiful: quanto maior, melhor. Os pesados aparelhos de gestão
financeira servem para elaborar estratégias, grandes grupos adotam o MIS
(management information system) e a petrolífera Shell adota mesmo uma unified
planning machinery. É uma época gloriosa, marcada pelo primado da
quantificação.
Por necessidade ou mimetismo, o planeamento infiltra-se em todas as
organizações, que lutam entre si para seguirem as subtilezas do pensamento
teórico. Chegam então, em ondas sucessivas, o planeamento de empresa, o
planeamento estratégico, a gestão estratégica, a prospectiva estratégica,
recebidos de cada vez como uma nova aplicação de tinta fresca: uma camada para
os «constrangimentos externos», uma segunda para as «estruturas internas», uma
terceira para dar um tom de «antecipação». Os gurus estão em alta! Produtores
férteis de modelos e matrizes de decisão, os americanos afogam as business
schools com as suas ferramentas de análise. Veja-se, por exemplo, a famosa
curva da experiência do BCG (Boston Consulting Group), que demonstra
matematicamente que cada vez que se duplica a produção descem os custos
unitários do produto em 20% a 30%. Os cépticos dizem que esta lei é desmentida
pela inovação, algo que a Ford aprendeu à sua custa nos anos 30…
O mesmo BCG propõe uma matriz de portfolios de atividades (v. ilustração à
esquerda) que pretende orientar opções estratégicas de investimento ou abandono
de negócios. Visão demasiado simplista, respondem concorrentes como a McKinsey
ou Arthur D. Little, que propõem outras matrizes. A gestão torna-se um campo de
batalha para eixos, setas e coordenadas. Dotados de conselheiros tão sábios, os
líderes de empresas largam os seus «cães» (setores a abandonar na matriz BCG).
Outros descobrem que lhes faltam «estrelas» (produtos líderes com crescimento
rápido).
Uma coisa é certa: as empresas ficam repletas de jovens altamente qualificados,
pagos a peso de ouro. Rodeados de sábios, que papel caberá, então, ao gestor de
topo? A «grelha da liderança», dos americanos Blake e Mouton, dá algumas
respostas. Já para não falar da gestão por objetivos, lançada por Deter
Drucker.
Mas já se sente que o vento está a mudar — será Maio de 68? É o fim do «grande
repasto», protagonizado pelo realizador Marco Ferreri (La grande bouffe). Peter
Drucker (quem mais?) é, mais uma vez, profético: «Uma grande organização é mais
eficaz pela sua massa do que pela sua agilidade. As pulgas conseguem saltar
várias vezes o seu tamanho; os elefantes não», refere na obra magistral The Age
of Discontinuity, onde profetizou a chegada da sociedade do conhecimento. Os
paquidermes que se cuidem era, no fundo, a mensagem de Drucker. Só que os
paquidermes estavam demasiado ocupados com o planeamento para o escutar.
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A importância da visão estratégica, do marketing e dos valores
1962. Innovation in Marketing,
de Ted Levitt, seguiu-se ao seu artigo «Marketing myopia», publicado em 1960
na Harvard Business Review. Foi o alerta para a necessidade de passar da
óptica do produto para a óptica do cliente. De que serve fabricar aquilo que
o consumidor não quer?
1962. Strategy and Structure
foi o resultado da análise realizada por Alfred Chandler às maiores
companhias americanas entre 1850 e 1920. À pergunta «O que é que nasce
primeiro, a estrutura ou a estratégia?», Chandler respondeu que, quando não é
a estratégia que origina a estrutura, o resultado é a ineficiência.
1963.
A Company and its Beliefs,
de Thomas Watson, Jr., foi publicado no mesmo ano do livro de Sloan My Years
with General Motors, mas não podia ser mais diferente. Enquanto Sloan
relegava as pessoas para segundo plano, Thomas Watson, Jr., destacava o seu
potencial; enquanto Sloan elogiava sistemas e estruturas, Watson falava de
valores. Era o enaltecimento das virtudes duma cultura empresarial forte, a
da IBM.
1963. Em My
Years with
General Motors Alfred
P. Sloan explica como fez a segmentação de produtos na General Motors
oferecendo variedade ao cliente.
1965. Corporate Strategy,
de Igor Ansoff, desenvolve conceitos e procedimentos que ajudam o gestor a
tomar decisões estratégicas. Pela primeira vez fala-se em estratégia de
negócio, sinergia e competências.
1967. Marketing Management, de Philip Kotler, é a verdadeira bíblia do
marketing como disciplina..
1969. The Age of Discontinuity,
de Peter Drucker, debruça-se sobre as descontinuidades da explosão de novas
tecnologias, globalização, realidades sociopolíticas e educação de massas. É
a antecipação da sociedade do saber.
1970. Up the Organization,
de Robert Townsend, foi o livro de humor que marcou a década de 70. Pregou as
virtudes da gestão participativa e do empowerment. A brincar o autor escreveu
coisas sérias.
Datas que fizeram
história
1960.
Cria-se a EFTA. Portugal adere ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco
Mundial.
1961.
A guerra fria sobe ao rubro, levando à
construção do muro de Berlim, que dividiu a Alemanha em duas.
1962.
Os Beatles editam o seu primeiro disco.
1963.
J. F. Kennedy é assassinado em Dallas.
1964.
Rebenta a guerra no Vietname.
1967.
No Médio Orienta trava-se a tristemente célebre Guerra dos Seis Dias.
1968.
As greves e os movimentos estudantis agitam a Europa.
1969.
O homem pisa, pela primeira vez, a Lua. Realiza-se o famoso Festival de
Woodstock
1972.
A Polaroid revoluciona a fotografia.
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Dois reis para o trono do
marketing
Theodore Levitt e Philip Kotler assinam nesta
época obras cimeiras que promoveram o marketing a um corpo de conhecimentos
digno de ser autonomizado
O
período compreendido entre o final da II Guerra Mundial e o final dos anos 60
foi de crescimento e confiança. Desde 1950 que os americanos passaram a contar
na carteira com um amigo de que nunca mais se afastariam, o cartão de crédito.
A empresa Procter & Gamble começava a apostar nas suas marcas, confiando-as
a gestores de produto, e, graças ao desenvolvimento da televisão comercial, a
publicidade passou a entrar pelas casas dentro. Fazem-se estudos de mercado,
formam-se forças de venda, disputam-se clientes.
Não é por acaso que duas das grandes obras do marketing surgem nesta altura:
Innovation in Marketing, de Theodore Levitt (1962), e Marketing Management, de
Philip Kotler (1967), considerado o pai do marketing. Mas Levitt, alemão que
encontrou refúgio do regime nazi nos Estados Unidos, também merece sê-lo. Gary
Hamel, no comentário ao livro de Stuart Crainer The Ultimate Business Library,
confirma: «Se Ted Levitt não tivesse feito mais nada na sua carreira — e fez
muito —, teria justificado a sua vinda ao mundo com o artigo «Marketing myopia»
(Julho/Agosto de 1960, Harvard Business Review, 500 mil reprints vendidos). Aí,
Levitt alerta que o crescimento da empresa não deve considerar-se nunca como
garantido. «O crescimento não é uma questão de estar numa dada indústria, mas
de ser suficientemente perspicaz para perceber onde se irá registar o crescimento
futuro.» Para isso, os gestores devem definir o seu negócio de uma forma ampla
e evitar ficarem limitados pelos seus produtos (comboios, cinema), perdendo de
vista os benefícios fundamentais que os clientes procuram (transporte,
entretenimento).
Numa altura em que as empresas eram orientadas para o produto (product
orientation) e acreditavam que baixos custos fabris eram garantia de sucesso
(desde Taylor), Levitt, muito à frente do seu tempo, defendia que «a
preocupação central das empresas deveria ser a satisfação dos clientes
(customer orientation)».
Fez também a distinção entre vendas e marketing: as vendas não se preocupam com
os valores subjacentes à troca e com o processo de negócio na sua globalidade,
como «um esforço integrado para descobrir, criar e satisfazer as necessidades
do cliente».
Kotler, para quem o marketing é a essência do negócio, não podia concordar
mais. «As boas empresas vão ao encontro das necessidades; as ópticas empresas
criarão mercados», escreve. «A liderança pelo marketing conquista-se pela
imaginação de novos produtos, serviços, estilos de vida e formas de aumentar os
padrões de vida».
O seu trabalho foi sobretudo de sistematização e evangelização. Graças a ele, o
marketing tornou-se uma disciplina com um corpo de conhecimentos autônomo. A
ele se deve a divulgação de conceitos como marketing mix, segmentação e ciclo
de vida do produto. Mas seria injusto esquecer o seu pioneirismo ao cunhar
termos com demarketing (a idéia de que o marketing também serve para dissuadir
os clientes de quererem um produto ou serviço) ou marketing social (o recurso
ao marketing para disseminar idéias socialmente úteis). Mas há quem sentencie
que o maior dos feitos de Kotler foi ter promovido tão bem o marketing. E é
isso que faz dele o rei. Mas Levitt também ajudou a empurrar o marketing para o
centro da vida empresarial.
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1973 – 1980 Japão
inova com qualidade
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O Japão afastou o seu estatuto de imitador a
baixo custo para se impor pela qualidade. Kaizen, kanban, just-in-time ,
círculos de qualidade — há material para uma obsessão duradoura do Ocidente
Estes
anos são de lavagem ao cérebro. Um elefante humilhado pelas pulgas, a América
evacua do Vietname em Março de 1973. Em Outubro, um primeiro choque petrolífero
abala as economias desenvolvidas. Para que serve ser grande e forte? É uma boa
pergunta. As inovações vêm de todo o lado no exterior (o microprocessador em 1971, a fibra óptica em
1972, o scanner em 1973, etc.) e dão a supremacia a tudo o que é pequeno, ágil,
interativo. A IBM, ou Big Blue, perderá com a sua arrogância, enquanto miúdos
como a Apple, Microsoft ou Intel preparam nas garagens de casa uma nova
revolução industrial. Quem imaginaria que alguns deles seriam um dia atacados —
não é, Bill Gates? — por abuso de posição dominante!
Nas empresas, é a época em que os mais lúcidos tentam aligeirar as estruturas
com métodos participativos como o OBZ (orçamento de base zero): a organização
desmonta as peças do seu próprio puzzle, ordena-as por utilidade decrescente e
indica os elementos que considera supérfluos. Não é fácil. O rigor dos tempos
exigirá mais tarde sacrifícios de outra amplitude.
Mas como faz a Suécia, que parece conciliar tudo — participação do pessoal,
garantia de emprego, qualidade de vida no trabalho e resultados? Como faz a
Iugoslávia, modelo por instantes (sim, é verdade!)? E, sobretudo, como faz o
Japão, que inova depois de tantas cópias? Durante 15 anos, exercerá sobre a
Europa um verdadeiro fascínio: eis um país destruído pelo fogo nuclear,
penalizado durante muito tempo pela imagem negativa dos seus produtos baratos e
agora o centro da admiração do mundo ocidental. É preciso render-se à
evidência, os japoneses aprenderam. E, paradoxalmente, foram dois
norte-americanos — Edwards Deming e Joseph Juran — que lhes transmitiram este
culto da qualidade, que não conseguiram vender aos seus compatriotas.
À chegada a Tóquio, em 1950, W. Edwards Deming tinha planeado uma cruzada
baseada no método PDCA (plan, do, check, act): primeiro, planear; segundo,
realizar; terceiro, examinar os resultados; quarto, continuar ou corrigir. O
passo da qualidade visto como uma viagem e não como um objetivo permitiu aos
japoneses integrá-lo como melhoria contínua, que batizaram kaizen.
Outras noções exóticas vieram na mesma leva, como o just-in-time (produção à
medida das necessidades), associado aos diversos zeros (stocks, prazo,
defeitos, etc.). O objetivo? Destruir a fábrica que produz avarias, acidentes,
greves, desperdícios e poluição. O modelo é introduzido na Toyota pelo
engenheiro Taiichi Ohno e as suas conseqüências são conhecidas: a produção em
fluxos contínuos, o kanban (cartões que acompanham os produtos com as
encomendas do cliente), o jidoka, ou auto-ativação da produção (a linha pára em
caso de anomalia).
Só que o que passou por coleção de receitas provém na realidade de um
imperativo situado mais acima. O que impulsiona o sistema? A procura do
cliente. E a expressão «qualidade total» significa que a empresa deve
envolver-se na sua «totalidade». Caixas de sugestões ou círculos de qualidade
são alguns dos truques que a Europa introduz sem perceber o que está por
detrás. «Considerou-se que podiam, por si próprios, transformar as
organizações. Mas não», diz o consultor Hervé Sérieyx. Se a pessoa que os
implementa não os transforma ela própria, conseguem-se resultados piores que os
de ontem.
De fato, muitos desses conceitos foram rapidamente flexibilizados,
homogeneizados ou mesmo esquecidos. Os constrangimentos do funcionamento,
muitas vezes caótico, da empresa ergueram um obstáculo à fluidez indispensável
ao modelo. Pelo menos a moda nipônica (que durou até ao final dos anos 80 ) pôs
os espíritos em movimento, preparando-os para a norma ISO 9000. Atualmente
muitas empresas visam esta certificação, não tanto pela qualidade, mas mais com
fins comerciais. Mania das aparências.
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1980 – 1993 Da
excelência à reengenharia
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Pretende-se conduzir as empresas rumo à
excelência. Mas muitas das citadas como modelo no best-seller de Peters e
Waterman em breve se tornarão
maus
exemplos. A recessão traz a reengenharia
Boum!
O segundo choque petrolífero, o da revolução iraniana, coloca tudo na estaca
zero. Procura-se um farol, um ponto de referência. Nada. Uma única coisa é
previsível: já não se consegue prever o futuro. Os especialistas da estratégia
passam por um mau bocado, sem poder planear nem encaixar a gestão em matrizes.
O que não significa que os gurus tenham desaparecido. Fala-se
muito da obra de Henry Mintzberg sobre as estruturas mentais dos gestores e
como estes empregam o tempo. Ou da teoria das vantagens competitivas de Michael
Porter. Este, professor em Harvard e consultor com honorários sumptuosos,
inventou um vasto método de análise sectorial que abrange fornecedores,
clientes, produtos de substituição, etc. — mas que esquece os aspectos
financeiros e humanos da empresa. Chega para renovar as aulas dos professores,
mas talvez não os fundamentos do pensamento de gestão.
Em suma, nenhuma carta de navegação sobrevive nestes tempos incertos. Por isso,
mais do que a razão, o cálculo ou as previsões, a moda vira-se para a coragem,
o entusiasmo, o empenho. Com uma ponta de ferocidade, os especialistas e os
gestores que pertencem ao campo dos «racionais» troçam da tendência
generalizada para o «pilotar à vista». Mas não convencem face ao fenômeno de
edição que conquistou em 1982, de uma só leva, os estados-maiores das empresas
e os campus universitários — Na Senda da Excelência, de Tom Peters e Bob
Waterman, é um sucesso.
O que defendem estes dois consultores da McKinsey? Que as empresas «brilhantes
nas coisas essenciais» tiveram quase sempre um líder capaz de instaurar uma
cultura da excelência. Para demonstrá-lo, identificam oito características
comuns: a participação da ação, o incentivo à inovação, o empenho dos gestores,
a produtividade que nasce nos empregados, etc. Estes sinais de excelência foram
encontrados em 43 empresas. São nomes e nomes! O livro cita-os e vende milhões
de exemplares.
Mas tudo foi em vão. No
decorrer dos dois anos seguintes, dois terços das empresas citadas (Atrai, Avo,
IBM, People Expies, want, etc.) sofreram ou desapareceram mesmo do mapa. O
pódio era enganoso? Não é nada disso, respondem os autores, é a melhor prova de
que a estabilidade não existe em lado nenhum. Os novos «excelentes» são os que
conseguem mudar e melhorar sempre. Tom Peters consegue assim mais um
best-seller, A Gestão em Tempo de Mudança, em que desenvolve 45 regras de
conduta para os líderes.
É deles, de fato, que depende o futuro da organização. Em França, Hervé Sérieyx
fala na Empresa do Terceiro Tipo (1984), e depois bate-se por um Desprezo Zero,
enquanto um relatório famoso de Antoine Riboud, patrão da BSN, exige homens com
carisma e capacidade de concentração: «Não desprezar», diz, «nem a aspiração a
ser nem a aspiração de ter.» Deixe-se o lugar aos líderes de grande
envergadura, aos Lee Iacocca (Chrysler), Jan Timmer (Philips), Percy Barnevik
(ABB), Jack Welch (General Electric), entre outros. Em França, onde se
confundem por vezes negócios e negociatas, adora-se… Bernard Tapie.
Os teóricos descobrem noções de gestão como o benchmarking (que renova,
espreitando para o vizinho, a velha fórmula SWOT —
forças-fraquezas-ameaças-oportunidades — ou os DAE (domínios de atividade
estratégicos, ex-segmentos estratégicos dos anos 70), que não tardarão a ser
derrubados pelos pólos de competência.
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1993
– 1998 De Detroit a Silicon Valley
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Acabou a velha estrutura piramidal. Em rede,
movediça, a nova organização quer relacionar-se com clientes, parceiros,
acionistas. As novas tecnologias de informação mudaram tudo
Desnorteado,
um presidente constata: «Estava no topo de uma pirâmide e passei para o núcleo
de uma molécula.» Outro enerva-se: «Quando tento perceber como uma rede
funciona na minha empresa, essa rede deixa de estar em vigor.» Cem anos de
gestão para chegar aqui! Como diz o consultor Hervé Sérieyx, construir um
Boeing é complicado, mas não apresenta surpresas; apanhar espaguete com o garfo
é de outra complexidade. «Num prato de espaguete, há uma lógica do caos não
previsível.»
Este prato de massa manhoso é culpa das novas tecnologias de informação e das
comunicações, que revolucionaram tudo: espíritos e organizações. Procura-se
agarrar os raros pontos de referência que ainda emergem. «Valor» é uma palavra
na moda, já que qualquer empresa deve criá-lo em várias direções: o cliente, o
acionista, o pessoal ou a sociedade inteira. O mais vital é sem dúvida o «valor
para o cliente». Se restar uma pirâmide, ela deve ser derrubada, colocando-se o
cliente no topo, como ensinaram os japoneses.
A informática, que suplantou a indústria automóvel como fonte de inovação,
coloca as bases de dados ao serviço deste culto crescente do cliente. Ouvir,
antecipar, medir: conceitos novinhos em folha chegam às escolas de gestão. Se
ainda ignora o que significa close loop (uma volta apertada), tem zero! Os
americanos denominam desta forma a reação rápida do pessoal aos indicadores de
insatisfação do cliente. Vejam-se empresas como a DHL ou Chronopost («os donos
do tempo»): é o cliente + cronómetro. Não lhe lembra nada? Se responder Taylor,
cuidado, porque nenhuma cação é agora padronizada ou reproduzível. Caminhamos,
explica Jacques Chaize em Le grand écart, para a «empresa hipertexto», em que
bastará clicar «para construir o produto ou serviço desejados».
O próprio cliente evolui. O cocktail individualismo-materialismo arrasta como
reação o nascimento de um novo tipo de consumidor, que associa ao seu cato de
compra a procura de uma ligação social. A Harley-Davidson percebeu-o depressa,
propondo aos seus fãs acessórios, reuniões e cruzadas de botas e blusões de
cabedal às franjas. Amanhã, a forma mais evoluída da organização será a tribo?
Outra personagem que se lembrou de pedir contas, o acionista. Foi nos Estados
Unidos, onde os fundos de pensões pesam cada vez mais, que os acionistas
acordaram primeiro. Ainda há pouco tempo, o patrão da McDonalds, Michael
Quinlan, foi criticado devido à pressão de Wall Street face a resultados
insatisfatórios. Eis o corporate governance, o «governo de empresa», que
devolve poder aos administradores. Para satisfazer os imperativos do «valor
acionista», surgem os rácios EVA (economic value added, valor econômico
acrescentado), MVA (market value added, valor de mercado acrescentado) ou ROCE
(return on capital employed, retorno do capital empregue). Logo no início dos
anos 80, para aumentarem o valor das suas empresas, os gestores liquidaram
(leia-se, transformaram em liquidez) atividades inteiras. Estava-se mesmo a ver
— a reengenharia. Deram-lhe parceiros terminados em «ing», entre eles o impiedoso
downsizing, que poda nos empregos e poupa apenas ramos-mestres.
E os recursos humanos nisto tudo? Alguns gurus observam que o sistema arranca
mal se o valor criado for apenas para o cliente e o acionista. Não esqueçam,
alertam, o valor para o pessoal, porque as competências, savoir-faire e
experiência dos indivíduos são também um capital a desenvolver e a não perder.
Fala-se de boa vontade do knowledge management, gestão do conhecimento, e da
learning organization (empresa em constante aprendizagem).
O impulso tecnológico faz voar as estruturas. Em rede integrada, de malhas ou
federada, a organização de amanhã avança um pouco como uma amiba, amputa,
funde, faz alianças, migra de forma curiosa. Internamente, mexe-se da mesma
forma. Ligações horizontais, achatamento dos níveis hierárquicos, avaliação
recíproca dos colaboradores (360º feedback), responsabilidade de decisão para o
que está melhor colocado (empowerment), condução e orientação das competências
(coaching). O contrário de uma marcha cadenciada. Enfim, o modelo de Silicon
Valley substitui-se ao de Detroit.
Como já dissera Peter Drucker, a orquestra é ainda um bom modelo de
funcionamento: o trabalho do grupo produz harmonia.
Mas que soma de aptidões reunir para ser um grande chefe, líder ou «facilitador»?
Especialista das organizações, o irlandês Charles Handy serviu-se do Olimpo
para resolver a questão. Encontram-se na mitologia grega, explica, quatro
divindades cuja personalidade corresponde a quatro formas de inteligência:
intuitiva (Zeus), lógica (Apolo), prática (Atena), relacional (Dioniso). Ponha
estes quatro deuses no seu motor e será o piloto ideal. Eis, finalmente, que se
vai buscar outras fontes que não a nipônica ou americana!
Assim, no
vale-tudo da disputa por um lugar ao sol no novo milénio, as empresas devem
demonstrar sua capacidade de adaptação e competitividade para garantir a sua
sobrevivência. A importância da gestão de pessoas atinge neste estágio da
evolução do trabalho o estado da arte. Como bem expressou Jayme Teixeira Filho, o prematuramente falecido ex-presidente da
Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento Se pensarmos o talento como
competência, isto é, como um conjunto de
habilidades, conhecimentos e atitudes favoráveis ao desempenho da pessoa na sua
ocupação, então hoje o talento é fundamental. As atividades repetitivas,
rotineiras, que não envolvem inteligência e decisão, estão sendo automatizadas.
Na empresa fica apenas o espaço para a criação, para a solução de problemas,
para quem traz valor ao negócio. E saber usar as informações disponíveis nesse
processo é um talento cada vez mais valorizado. Novos conceitos são criados, outros são revistos, aspectos
desprezados anteriormente são agora valorizados.- Ser GERENTE é, investido de
autoridade pela organização e junto com a equipe pela qual é responsável, obter
resultados para a empresa e para a sociedade, ao mesmo tempo que proporciona o
crescimento de seus colaboradores principal função de um empresário ou gerente
é a busca da eficácia. Sem ela não bastará ser inteligente e criativo, pois
estas qualidades não serão transformadas em resultados positivos para a
empresares eficiente é fazer certo as coisas e ser eficaz é fazer as coisas
certas.
A administração do tempo é
um conceito que passa a ser incorporado à eficácia.
No mundo moderno as pessoas estão cada
vez mais apressados, sempre se queixando de não ter tempo para nada.Podemos
sempre dizer que todos têm todo o tempo do mundo: Todos têm igualmente 24 horas
por dia.Com o mesmo tempo disponível algumas pessoas desenvolvem suas
atividades, com alta qualidade e satisfação, enquanto outras não conseguem e se
justificam dizendo: não houve tempo suficiente.A questão está na administração
do tempo.Apesar da pressão feita pela «falta de tempo”, o que ocorre é que nem
todo mundo se preocupa com o grau de eficiência do uso do seu tempo,
acreditando ser boa a forma pela qual o fazem. Mesmo nos casos em que se
utiliza bem o tempo, a mudança na forma de fazê-lo poderá dar mais
produtividade com menos esforços e mais satisfação ao indivíduo.A maneira como
usamos - ou administramos o tempo - está diretamente a relacionada com:a qualidade de vida na vida pessoal: Na medida em
que conseguimos realizar o que planejamos, disponibilizando tempo para o lazer
e para a vida pessoal , deixando para trás os problemas do trabalho. Os
gestores de pessoas se direcionam no novo milénio para a qualidade de vida no
próprio trabalho, onde passamos boa parte de nosso dia.
. Em um ambiente em que não há boa
administração do tempo as pessoas têm mais dificuldade em trabalhar em equipe,
havendo irritação geral, dificuldades na comunicação, desrespeito aos aspectos
individuais, gerando menor sociabilidade.
Quando conseguimos efetivamente
produzir melhor, dentro de um planejamento que nos permite concentrar na
qualidade, nas prioridades e atividades que nos permitem alcançar melhores e
maiores resultados. Também a pressão do tempo gera o estresse, que interfere na
eficácia.
O que é chefe? O que é líder?
Chefe é aquele que dispõe de
autoridade formal, mediante a investidura de um cargo, cujas atribuições
outorgam capacidade para representar a empresa, deliberar e decidir, dentro das
limitações de sua competência. Líder é aquele que, mesmo não dispondo de
autoridade estatutária é seguido, respeitado e obedecido, que consegue unir o
grupo, representá-lo e levá-lo coeso à perseguição e à defesa dos anseios
comuns, que possui grande identificação com seus companheiros, com os quais
mantém bom relacionamento.Apesar de nem sempre ocorrer, espera-se que o chefe
seja também um líder.
No desenvolvimento normas de suas
atividades, os gerentes se envolvem constantemente com reuniões.As pesquisas
realizadas no Brasil indicam que os executivos gastam entre 20 e 30% de seu
tempo em reuniões e que nos Estados Unidos este percentual sobe para 50%.Em
muitas empresas, as reuniões não são organizadas de forma a serem eficazes, não
chegando a alcançar os resultados esperados, se tornando enfadonhas e
cansativas. Por fim, nestas empresas as pessoas acabam evitando participar de
reuniões que seriam fundamentais para a empresa.Reuniões, para serem eficazes,
devem ser tecnicamente preparadas, conduzidas e organizadas.
Delegação é a transferência de
autoridade e responsabilidade para a execução de uma atividade de um membro da
organização para outro, normalmente hierarquicamente abaixo deste.
A delegação é de importância capital
na administração de uma empresa. Deve ser sempre fruto de uma análise bem
acurada e pensada pelo delegante. A delegação é sempre recomendável para se dar
maior agilidade ao níveis gerenciais.
Ë muito importante em qualquer
empresa, independentemente de seu porte, que os gerentes transfiram as
atividades dominadas por seus subordinados e as de rotina para que possam
efetivamente «administrar e «alavancar” o seu negócio.
A delegação é sempre parcial, porque
perante à organização, o delegante será sempre o responsável final.
Delega-se a «Responsabilidade de” e
jamais a «Responsabilidade perante”.
O conceito de delegação aparenta-se
bem claro, mas na prática poucas pessoas o aplicam ou praticam.
Muitos desejam delegar, mas acabam não
o fazendo ou praticando. Onde a centralização decisória predomina, a delegação
efetiva tende a não ocorrer.
Finalmente, o processo de comunicação
na empresa é de fundamental importância, pois é a partir dele que tudo
funciona.
Um novo conceito, o marketing interno
e suas práticas colaboram para a coesão dos objetivos da empresa, e constituem
uma avenida de duas vias, de resultados, ideias e sugestões.O núcleo da empresa
do novo milênio está representado pelos desafios da motivação.. Como escreveu Dostoievski
“O segredo da existência humana consiste não somente em viver,
mas ainda encontrar o motivo para viver”
A
motivação ainda é um grande desafio para as empresas, e cada vez mais
deve ser preocupação pois é o combustível que nos faz funcionar.
Por
meio da motivação há melhoria nos processos internos, dos produtos,
envolvimento e comprometimento.
Quando
a empresa realiza pesquisa de satisfação, é visível que a produtividade aumenta,
quando as pessoas são motivadas de forma
particular, através do desenvolvimento de suas capacidades, do reconhecimento
dos objetivos, das tarefas e de seu valor, tanto por parte da chefia como pelo
grupo que pertence.
Não
esquecendo da recompensa através do seu salário, premiações, entre outras
coisas etc.
Hoje
o valor do trabalho está passando por transformações e sofrendo uma quebra de
seus paradigmas. Cada pessoa deve ser motivada de forma diferente, pois cada qual tem necessidades e emoções distintas.
O homem é um ser insaciável, uma
vez satisfeita uma necessidade,
automaticamente surgirão outras, por isso, é importante que a empresa
diversifique os benefícios, adequando-os de acordo com as necessidades dos
funcionários.
Muitos
empresários acreditam que a motivação é obtida através de salários, além disso costumam dizer: “Aqueles que não estiver contente, que vá buscar outra oportunidade
melhor outra oportunidade melhor. Isso é
muito perigoso para a empresa. Em uma dessas vezes, o funcionários sai,
encontra e convida os demais criando
a ciranda da desmotivação interna.
Podemos
dizer que o envolvimento e a motivação
das pessoas com seu trabalho, tem diminuído
com o passar dos tempos ou vêm sofrendo um pseudo aumento, principalmente,
considerando o medo de perder o emprego ou
realizando atividades por obrigação, sem sentido.
Antigamente, vivíamos
num contexto diferente, onde as
pessoas dedicavam-se de corpo e alma ao trabalho e estavam dispostos a encarar desafios.Com o passar do tempo, houve
uma mudança. Um os aspectos críticos da motivação é a redução ou o excesso
na jornada de
trabalho levando a uma saturação
psicológica do trabalhador.
Hoje
o desafio do profissional de recursos humanos
é motivar as pessoas a crescerem, juntamente com a organização. Caso
isso não aconteça, o caos estará instalado.
Não adianta
somente oferecer panacéias
de benefícios no
final do ano,
como churrascos, cestas de natal
ou outros benefícios.
Com
esses recursos, o processo motivacional funcionará somente por um curto
período.
É
preciso pensar no que o funcionário gostaria de ganhar e não o que você
gostaria de dar.
Nessa
situação temos que ser flexíveis para mantermos competitivos, assim como os
benefícios oferecidos pelas organizações. A motivação precisa ser encarada como
forma de valorizar o funcionário, que deve se sentir parte integrante da
empresa e não simplesmente um seguidor de regras.
Outro
dia estava almoçando com um cliente, e na empresa estão com um programa de benefícios
diferenciado, há um rol de benefícios
obrigatórios e um outros optativos.
No
rol dos optativos está a Bolsa de Estudos, questionei os motivos e assinalei o
seguinte cuidado: Será que vocês não estão “matando” a competência,
inteligência da organização colocando-o
como optativo? Deverá ser incentivado o uso deste benefício.
Para que a motivação funcione é preciso que o
funcionário esteja , também, disposto a se motivar, vontade de trabalhar,
principalmente que goste do que faz.
O papel da empresa nesse processo é o de
propiciar condições e incentivos. Neste momento
devemos supor que as necessidades básicas, tais como moradia,
alimentação, saúde, transporte, estão sendo supridas satisfatoriamente , apesar
de não garantirem a motivação, somente mas evitando apenas a insatisfação.
Para garantir a motivação, é preciso outros
estímulos, como integração social, valorização
pessoal e profissional. Isso será possível através de
treinamento que propicie seu desenvolvimento, a aquisição de novos
desafios, possibilidade de criação
de novos
métodos de trabalho,
serviços, produtos, etc.
Cabe
ressaltar que o relacionamento com os colegas de trabalho e chefia é um fator
importantíssimo na motivação.
Outro fator importante é o relacionamento com os
colegas de trabalho e chefia. O que
percebemos, é que nem sempre os chefes ou líderes estão preparados para motivar sua equipe, haja
visto o que presenciamos durante os treinamentos.
Com
pequeno investimento em treinamento
determinadas atitudes podem ser modificadas, tanto por parte das
chefias quanto da equipe de trabalho.
Neste
caso, os programas de
incentivos poderão ser
uma ferramenta poderosa da motivação, possibilitando a melhoria na
produtividade, o aumento e o comprometimento dos colaboradores.
Outro
aspecto que se sobressai no ambiente
organizacional é a competição. Ela dará bons resultados quando bem
administrada.
A formação de líderes e a estimulação da
criatividade também são aspectos importantes para as organizações. Assim, é
necessário das liberdade para o funcionário criar novas formas de trabalho,
produtos e serviços, proporcionando o comprometimento com a empresa.
Quando
as organizações negam
a possibilidade de criar o resultado é o descomprometimento,
desmotivação e o emburrecimento generalizado.
Nos
programas de treinamento percebemos que há vários
funcionários que gostam de desafios e são criativos, mas muitas vezes são
desestimulados pela equipe de
trabalho, chefias centralizadoras.
O medo de errar e da punição é predominante na
maioria dos cenários das organizações. É importante lembrar que o indivíduo criativo é regido pela auto
realização, está atento a tudo o que acontece. Além disso busca desafios, cria
o novo, busca soluções criativas para os problemas, tornando-se motivante e
auto motivador.
O
desafio ao uso da criatividade no trabalho leva à motivação, favorecendo a
participação ativa. Quando se bloqueia a inteligência criativa há o
desinteresse de participar, opinar e
envolver-se mais.
Muito se fala sobre o escutar o cliente,
pois é ele quem adquire os produtos e ou serviços. Escutando-o você poderá detectar necessidades e adequar seus
produtos e serviços. A empresa moderna lança mão de pesquisa voltada ao
consumidor para identificar e avaliar aceitação do produto etc.
Resultados dessas pesquisas: o cliente tem sempre razão, escute o cliente
externo objetivando melhorias dos produtos e serviços prestados; escute quem
ainda não é seu cliente, pois você poderá
identificar suas necessidades e adequar-se a eles, tornando-o seu novo
cliente; manter o cliente é mais difícil que adquirir um novo; adquirindo um
novo torna-se mais difícil manter o
‘velho”. Enfim, ditados não faltam sobre o cliente externo, mas parte
deles podem ser adaptados ao ciente interno. Da mesma forma que devemos escutar
o cliente externo devemos escutar o interno. Escutando-os , se sentirão
comprometidos com a empresa, sem contar que eles irão assinalar necessidades, aspectos a serem melhorados,
que poderão se diferenciar do concorrentes, assim como a criação de novos
produtos e serviços, tendo como referencial queixas e pedidos do consumidor.
Sabemos que o que rege o comportamento dos indivíduos são mais os
aspectos inconscientes do que os conscientes e que grande parte dos
comportamento estão inerentes aos valores, preconceitos etc. Tudo isso não são
visíveis porém rege o comportamento. Escutar o cliente interno é uma
estratégia para identificar as possíveis causas dos comportamentos que não são
expressados e que muito interfere nos relacionamentos interpessoais. Para
isso se faz um diagnóstico do ambiente
de trabalho, que identifica estes aspectos que muitas vezes são podados de
serem expressados.
Muitos programas de
treinamento começam corretos, com a mensuração de satisfação dos consumidores,
conhecimento do produto, análise da concorrência, perguntas para os
funcionários buscando identificar onde se pode melhorar para satisfazer o
consumidor, etc. No entanto, muito pouco, ou nada, é perguntado para o cliente
interno, sobre o ambiente psicológico da organização, quais as suas
necessidades, impressões, etc.
Cabe ressaltar da importância no
funcionário para o sucesso de todo o esforço direcionado ao consumidor e á
qualidade. Sendo assim, podemos perceber que está faltando escutar e satisfazer
, na medida do possível, o cliente interno.
Podemos identificar, na pratica,
que as pessoas se tornam mais envolvidas , interessadas em contribuir com o
trabalho, assim passam a perceber o interesse que a empresa está tendo em
relação à sua opinião.
As organizações desenvolvem uma
estrutura formal de relacionamento entre seus membros, fixam objetivos e
cobram resultados através de processos
de comunicação à medida que a empresa cresce, os processos se tornam mais
complexos. Normalmente, a comunicação interna nas organizações é realizada de
cima para baixo, através de normas, quadros de avisos, boletins informativos,
jornais, etc. As impressões dos
funcionários sobre a organização muitas vezes, atingem somente campo informal
das organizações de maneira verbal, através das fofocas.
A
pesquisa de clima organizacional, obviamente, não busca as fofocas,
boatos, mas s informações “informais”, que é feito através das impressões dos
funcionários de maneira formal. Busca a compreensão e entendimento,
estabelecendo um plano de ação e buscando
soluções para problemas reais no campo das relações de trabalho.
Ela é um canal de comunicação
importante, onde ouvir os funcionários, de diversos níveis hierárquicos, permite
avaliaras impressões gerais que eles têm frente à organização.
Muitas organizações, considerando sua cultura e
prática administrativa, dificultam o posicionamento dos funcionários a respeito
de suas impressões e sugestões, algo que acontece até mesmo por medo de
punição, etc. Outras organizações evitam
a pesquisa, principalmente por temerem as novas idéias, desejos e valores.
Empresas inteligentes trabalham
com o maior número de informações, visando conciliar diversas opiniões,
impressões expectativas tendo dos funcionários como do empregadores e seus
clientes.
Cabe aos gerentes chefes,
profissionais de RH possibilitarem um canal de comunicação e informações.
Somente podemos realizar a
pesquisa, quando a empresa estiver disposta a propiciar processos de mudanças, desde as mais simples
até as mais complexas.
Este cuidado é sempre reforçado no
início dos trabalhos através de consultores, para posteriormente desencadear
ações de intervenções.
Muita vezes são realizadas várias
sessões, com o empresário ou o contratante, identificando sua percepção quanto
aos problemas da sua empresa, assim como as possíveis soluções.
Até certo ponto, a consultoria
deve antecipar informações, considerando os resultados obtidos nas praticas
habituais, assim como possíveis soluções . O responsável pelo setor, agora
denominado Gestão de Pessoas, será o interlocutor privilegiado para a
introdução dessas avaliações, conceitos e práticas. No novo milênio, os seres
humanos, as pessoas, não são recursos. São pessoas, em toda a sua grandeza
, inteligência, e poder criador.
Ref.:
L´Essentiel du
management (Agosto de 1998). © Bernard Lalane,1998. Publicado com
permissão do autor. Traduzido por Géraldine Correia.
Humor SA – Paulo Cangussu/Guz – site www.guz.com.br
Postado em 13/02/2008 9:24 PM
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